
Ninguém pode negar que a chamada "emenda Ibsen" que altera a distribuição de royalties do petróleo é ruim para o Rio de Janeiro, pois está claro que as perdas financeiras para o estado do Rio são gigantescas. Mas também podemos dizer que Sérgio Cabral soube tirar proveito dessa situação e até podemos dizer que a proposta de emenda foi muito boa para a campanha dele à reeleição.
É claro que todos os políticos fluminenses tentaram tirar proveito da situação e posaram de defensores do Rio. Mas ninguém soube fazer isso como Sérgio Cabral. O governador do RJ até chegou a chorar em frente as câmeras e organizou uma manifestação gigantesca contra a tal proposta de lei.
A oposição percebeu que o governador estava tirando proveito da situação e convocou os correligionários para gritar "Fora Cabral" na manifestação, mas não surtiu efeito pois o governador já havia caído nas graças do povo.
De acordo com o último levantamento feito pelo Datafolha, em dezembro de 2009, Cabral possuia entre 36% e 39% das intenções de votos e, dependendo do cenário, abria uma vantagem de 13 a 15 pontos sobre o segundo colocado. Acredito que se uma pesquisa for realizada ainda este mês o governador terá subido entre 5% e 10%. Um ganho extraordinário em pouco tempo, ainda mais que as eleições estão se aproximando.
Como a discussão em torno da emenda ainda se estenderá por alguns meses (se não for votada em regime de urgência), este será o mote da campanha de Cabral até lá.
sábado, 20 de março de 2010
APROVEITANDO UMA SITUAÇÃO DESFAVORÁVEL
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Senado paulista: balaio de indefinições - Por Olavo Soares
Este artigo foi escrito pelo amigo jornalista e especialista em marketing político Olavo Soares e publicado inicialmente em seu blog www.blogolavosoares.blogspot.com/
O início da semana para a política tem sido marcado pelas repercussões da desistência de Aécio Neves à candidatura presidencial e pela divulgação da pesquisa Datafolha que, também falando sobre a corrida ao Planalto, indicou uma aproximação entre José Serra e Dilma Rousseff.
O Datafolha divulgou mais índices. Na disputa pelo governo de São Paulo, nenhuma surpresa: Geraldo Alckmin lidera com folga. Arrisco que se nenhuma hecatombe acontecer (como até mesmo uma aparentemente improvável desistência de José Serra à sucessão de Lula), Alckmin e Dona Lu já podem ir pensando como decorarão seus escritórios no Palácio dos Bandeirantes.Mas é sobre outra pesquisa divulgada pelo Datafolha que gostaria de me pautar. Falo da disputa pelas duas vagas no Senado, a serem renovadas agora. Acredito que aí está a eleição majoritária mais imprevisível para os paulistas no ano que vem.Dois senadores encerrarão seus mandatos em 2011: Aloizio Mercadante (PT) e Romeu Tuma (PTB). Até terceira ordem, ambos buscarão a reeleição no pleito do ano que vem. Mercadante, apesar do péssimo desempenho na eleição de 2006 e de alguns tropeços (o mais recente foi o caso "irrevogável"), deve ser eleito. Tem muita visibilidade, condensará os votos paulistas para Lula, e é bom no jogo político.O bicho deve pegar mesmo para a vaga de Tuma.Ele tem hoje 27% das intenções de voto. É o segundo colocado - ou seja, estaria (re) eleito.Mas a distância que tem para seus seguidores é pequena, muito pequena, o que deixa claro que seu favoritismo não é dos mais sólidos.Analisemos quem vem atrás de Tuma, praticamente empatados com o senador. Orestes Quércia (PMDB) é uma figura curiosa. Venceu sua última eleição em 1986 mas exerce ainda uma liderança única em São Paulo - foi reeleito recentemente presidente do PMDB estadual, com votação das mais expressivas. Tem, agora, 24 das intenções de voto. Eu acreditaria que não tende a avançar mais que isso. Seu patamar inicial é alto, mas tem certa rejeição e, aparentemente, pouco a evoluir.Acredito que as figuras mais interessantes da disputa sejam os "artistas" Netinho de Paula (PCdoB) e Soninha Francine (PPS). Ambos têm agora 22%. É muita, mas muita coisa para quem ainda não se posicionou formalmente como candidato e pertence a partidos de porte médio ou pequeno. Sem contar que ambos terão o respaldo de candidaturas de grande porte - Netinho deverá ser o "segundo nome" da chapa petista, enquanto Soninha pegará carona na candidatura do PSDB. Ainda não se sabe se os dois se formalizarão candidatos (Netinho parece estar mais disposto), mas eu veria neles nomes de expressivo peso.
Já mais distantes estão Gabriel Chalita (PSB) e Paulo Renato (PSDB). Apesar dos baixos índices que têm hoje, não devem ser descartados, pelo peso que ambos têm na política local - vale lembrar que Chalita foi o vereador mais votado em 2008 e Paulo Renato foi bem na disputa para deputado em 2006. Aliás, no caso de Renato, se deve pensar se ele realmente se arriscará a perder uma relativamente tranquila reeleição para a Câmara.
Desde já, a disputa para as vagas paulistas no Senado vai se marcando como uma das mais interessantes das eleições no ano que vem. Alguém tem algum outro palpite?
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